quarta-feira, 11 de abril de 2012

A SERENIDADE DO HERÓI


A SERENIDADE DO HERÓI
FlávioMPinto
Foi impactante a foto publicada em alguns jornais de um herói da FEB ante um baderneiro recentemente. Refiro-me ao Coronel Amerino Raposo, herói da Segunda Guerra atuando pela Força Expedicionária Brasileira na Itália e episódio defronte ao Clube Militar no dia 29 de março no Rio de Janeiro.
Numa ocasião , enfrentou os valentes soldados alemães com sua máquina de guerra pronta a abocanhar o mundo e noutra, jovens covardes e imbecilizados travestidos de agitadores. Ambos avessos á democracia. Alemães com seu nazismo e os jovens com seu fascio-comunismo. Os dois grupos recheados de fanatismo, um na Itália já prestes da derrocada, e outro, no mundo,  numa doutrina sangrenta e desrespeitadora que não deu certo em lugar nenhum. Apenas trouxe miséria e violência.
Ante a turma ensandecida o herói se mostra sereno, passivo, numa superioridade gritante e irritante ao seu agressor. Com absoluta certeza usa o que tem de melhor de si, a calma ante o perigo iminente e sua inteligência e sabedoria  para vencer.
Já havia vencido as tropas alemãs no sangrento conflito mundial e não seria este, ocasionado por jovens ensandecidos por uma doutrina louca e atiçados por outros irresponsáveis, que o tirariam do prumo.
Não, não e não. O herói octogenário não moveria uma palha ante aquela turba. Sua imensa trajetória de vida lhe daria respaldo para responder sem mover uma mão. Sequer defender-se.
Venceria o duelo contra a besta-fera sem sequer sacar sua espada da bainha. As agressões contra os velhos soldados não figuraram nas páginas policiais como deveriam, mas mereceram, e aí terão, as páginas judiciais. Mas, convenhamos, ganhar batalhas judiciais de gente que não tem sequer argumento para dialogar, é dose.
O Coronel Amerino era, foi e é herói. Exemplo inconteste de conduta. Daí resulta vitoriosa a sua atitude de herói febiano, um grande soldado, um grande homem que não se curva a qualquer furacão a sua volta.
Na sua imponência e sobriedade, demonstra toda e inconteste atitude que o Exército Brasileiro e as demais Forças Armadas tomam face aos revanchistas de plantão. Não agridem nem se defendem dos ataques e continuam a trabalhar diuturnamente em prol da democracia que, um dia, se tornaram fiadores.
Conheci-o em 1994 no Rio de Janeiro, no CEBRES-Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos, onde fui buscar orientação para minha monografia de conclusão do curso de Estado Maior. Destaca-se na sua figura humana  o caráter,a autoridade e o pensamento militar, tudo em harmonia com sua privilegiada cultura e inteligência.
Continua sendo um militar de escol.
-Quem é o melhor no uso da espada? perguntou o guerreiro ao mestre.
-Vá até o campo perto do castelo, disse o mestre. Ali existe uma rocha. Insulte-a.
O guerreiro, surpreso, retrucou: - Porque devo fazer isto? A rocha jamais me responderá de volta.
-Então, ataque-a com sua espada, disse o mestre.
-Tampouco farei isto, respondeu o discípulo. Minha espada se quebrará se o fizer. E se atacá-la com minhas mãos, ferirei meus dedos sem conseguir nada. Mas minha pergunta é outra: quem é o melhor no uso da espada?
-O melhor no uso da espada é aquele que se parece com uma rocha, disse o mestre. Sem desembainhar a lâmina, consegue mostrar que ninguém poderá vencê-lo.